Expansão portuária nos EUA abre portas para brasileiros, diz advogado
Fonte: Migalhas quentes
Os Estados Unidos intensificaram nos últimos anos os investimentos em
infraestrutura portuária, movimento que vem abrindo espaço para novos
negócios e atraindo investidores estrangeiros, entre eles brasileiros interessados
em obter residência legal no país por meio dos vistos de investimento EB-5 e
E-2.
A modernização dos portos está ligada ao aumento do comércio internacional,
à necessidade de tornar as cadeias logísticas mais eficientes e à estratégia do país
de fortalecer exportações e reduzir gargalos históricos no transporte de cargas.
Segundo Daniel Toledo, fundador da Toledo Advogados Associados, o
movimento não é recente, mas ganhou escala maior nos últimos anos. "Os
investimentos sempre existiram, mas hoje são muito mais robustos e concentrados em regiões
estratégicas para a economia americana", afirma.
Portos estratégicos concentram investimentos
O principal exemplo é o porto de Los Angeles, maior dos Estados Unidos e
responsável por cerca de 20% de toda a carga conteinerizada que entra no país
pelo Pacífico. Em 2024, o terminal movimentou aproximadamente 8,6 milhões
de TEUs, de acordo com dados oficiais da autoridade portuária local.
Ainda na costa oeste, o porto de Oakland, na região da baía de São Francisco,
recebeu investimentos voltados à ampliação de terminais e modernização de
equipamentos. No litoral leste, o porto de Nova York e Nova Jersey se
consolidou como o principal ponto de entrada de mercadorias vindas da
Europa e da África, com cerca de 9,4 milhões de TEUs movimentados em 2024,
segundo a Port Authority of New York and New Jersey.
No sul do país, o porto de Galveston, no Texas, tem papel central na exportação
de petróleo, derivados químicos e produtos agropecuários. "Toda a região do Golfo
funciona como um grande corredor energético e industrial dos Estados Unidos", explica
Toledo.
Infraestrutura logística amplia efeito econômico
Os investimentos portuários impactam diretamente a economia local e
nacional. Dados do Bureau of Economic Analysis mostram que o PIB dos
Estados Unidos superou US$29 trilhões em 2024, com o setor de transporte e
armazenagem respondendo por cerca de 3% desse total.
Além dos portos, o país conta com uma das maiores malhas ferroviárias do
mundo, com mais de 225 mil quilômetros de trilhos, segundo a Association of
American Railroads. Essa estrutura conecta áreas portuárias a centros
industriais e logísticos em praticamente todo o território americano.
"É comum encontrar trens com vários quilômetros de extensão transportando combustíveis,
grãos e produtos químicos do litoral para o interior do país", relata Toledo. Ele também
destaca a expansão de corredores rodoviários em estados como o Texas, com
rodovias de múltiplas faixas ligando a costa a grandes centros urbanos.
Esse fluxo constante de mercadorias e trabalhadores estimula negócios
complementares, como centros de manutenção, garagens de caminhões, hotéis,
lojas de conveniência e imóveis comerciais e residenciais.
Vistos EB-5 e E-2 ganham destaque
Os vistos de investimento se tornaram uma das principais portas de entrada
legal para estrangeiros. O visto EB-5 concede o green card a quem investe a
partir de 800 mil em áreas qualificadas ou US$ 1.05 milhão em outras regiões,
desde que o projeto gere ao menos dez empregos nos Estados Unidos. O
Departamento de Estado disponibiliza cerca de 10 mil vistos EB-5 por ano.
Já o visto E-2 permite residência temporária renovável para cidadãos de países
que mantêm tratado comercial com os Estados Unidos. O Brasil não faz parte
dessa lista, mas brasileiros com dupla cidadania europeia podem se qualificar.
Os investimentos costumam começar em torno de US$100 mil, dependendo
do tipo de negócio.
"O E-2 é muito utilizado em empreendimentos ligados à logística, alimentação e serviços
locais. O EB-5, por sua vez, é buscado por quem deseja residência permanente de forma
direta, sem exigência de formação acadêmica específica", afirma Toledo.
Janela de oportunidade apesar do rigor migratório
Mesmo com o endurecimento da fiscalização migratória e análises mais
rigorosas de processos, especialistas avaliam que os vistos de investimento
continuam entre os mais bem aceitos pelo governo americano.
A política migratória dos Estados Unidos segue critérios econômicos.
Investidores que geram empregos e desenvolvimento regional continuam sendo
prioridade. A atual fase de modernização logística representa uma janela clara
de oportunidades.
"O país precisa de capital, eficiência e expansão produtiva. Quem entende esse movimento e
estrutura investimentos alinhados a essa demanda encontra caminhos legais e sólidos para
imigrar", conclui.